Cindi

[Às vezes meu eu interior me observa (o que tu quer?)]

 

2003

Em um terreno paralelo vivem seres com extraordinária capacidade intelectual para a auto sobrevivencia. Sua energia denominada telescinética equivale ao que conhecemos como vital, com ela desenvolvem meios de interação potencial que ao nosso ver consideramos sobrenatural, para eles é algo naturalmente cotidiano. Suas múltiplas tribos e clãs podem ser categorizadas por caracteristicas visuais presentes na grande maioria dos integrantes. Segredos dessas famílias são mantidas para de certa forma perpetuar sua prole. Algumas funções cotidianas restritas as grandes tribos vem sido estudadas para uso mais geral.

Dentre uma daquelas habitações ao sul de R2, chega um integrante da tribo pouco sociável. Estranheza gera aos poucos ali presentes.

[Sue]-Nossa, Uibea, olha quem resolveu aparecer. [Suel Escafie (Sue) dirigindo sua palavra para Deloriór que acabara de comparecer]

[Uib]-Resolveu sair da toca, Deloriór?

[Del]-Tudo certo? Fiquei sabendo da novidade e resolvi vim.

[Ali se encontra mais uma grandeza do Criador para conosco, pela madrugada aflorada nasceu Daia Iaqui (Daia),do clã Bor Alada (Borala), a mais nova integrante que está nos braços de sua genitora acamada nesse instante. Deloriór chega ao local e é recebido com euforia]

[Afai]-Olha Daia, chegou o seu tio, dá um oi pra ele.

[Del]-Oi, Daia. Como tá essa fofura?Vim aqui te ver.

[Afai]-Que milagre você ter vindo por aqui. Estamos todas nós quatro aqui e alguns já vieram nessa manhã, mas não pensei que o doido por esquisitices sairia assim fácil.

[Del]-Antes de ser um inventor, eu sou um Borala. [Dizeres enquanto acaricia a nova parente]

(22:35h terráqueo/ 10:38h redivivo)
… Bravo, Mestre de Comando, retorna ao continuamento do exercício passado, ao chegar percebe a presença de Cindi alinhada na mesma posição dos demais tentando disfarçar, “o que essa intrometida faz aqui?” pensa ele, daí um pequeno detalhe chama sua atenção naquele momento: ela está com uma mecha preta começando pela orelha direita de seus longos cabelos indicativa de “Cortejo uníncito “. Antes de sequer cogitar perguntar acerca do que houve para aquilo existir outro acontecimento desvia sua atenção novamente, mas desta vez é algo além do cotidiano: um leve formigamento ocorre em seu pulso direito enquanto surge um desenho ali, perplexo com o que vê fica uns 4 segundos com o olhar fixo até que seus pupilos notam a estranheza e Pin não exita em perguntar, “Aconteceu alguma coisa?”, Bravo informa com breve pausa “Não…, podem continuar aí, já volto”, retorna a passos largos até a sala donde veio, senta em sua mesa e começa uma reflexão consigo mesmo:

“Como pode haver forças tão sobrenaturais capazes de unir o desconhecido? Será que eu sou um abençoado por adquirir tal habilidade? Ou maldito por descobrir que existe outro lugar habitável fora de nosso conhecimento com perigo real sobre nós? Não, acalme-se Bravo. Fui escolhido por conhecer os segredos da “Regência do portal”, mesmo achando aquilo fantasioso demais e bem elaborado. Mas e agora? Pense, pense. Não posso deixar essa ansiedade tomar posse de mim, pode haver grave perigo nesse desconhecido. Sim, tenho que tomar muito cuidado porque com certeza estes seres são perigosos”

11:02h terráqueo
enquanto isso, no mundo terráqueo dois adolescentes voltam do centro da cidade em suas bicicletas aro 16, próximo da descida daquela barragem, o mais “aloprado” que vem na frente grita ao detrás “SE LIGA O QUE EU APRENDI”, segura firme no guidão, apoia a barriga no acento e joga os pés pra trás ficando ereto na manobra conhecida em eventos radicais como “Superman”, no ápice de velocidade da barragem ainda tira onda gritando rumo a quem sobe pela calçada na sua contramão “OIÁ PRA MIM, EU SOU O “HOMI-PIRANHA””[esse é Diego, se amostrar faz parte do cotidiano], seu primo Edson só segue a doideira, porque coragem pra burrice ainda não possui. Já na rua de suas casas ambos ouvem gritos partidos da mãe do Diego contra seu pai e a vizinhança do lado de fora vendo o barraco armado, nisso Edson (quase nada) viciado doido pra jogar videogame, logo inventa não querer se intrometer dizendo “Vixe, eu vou indo, depois me conta”, e continua rumo sua residência, Diego que estaciona em frente presencia a saída apressada do pai com algumas manchas vermelhas de hematomas segurando uma mala mal ajeitada com roupas:
-Oh filhão, o pai vai indo, depois a gente conversa.
[Sem explicação imediata, Diego quer uma resposta]
-O que foi, a mãe tá braba pelo quê? Dessa vez o senhor tá indo pra onde?
-Depois eu te conto, agora é melhor eu ir logo antes que ela fique mais nervosa.
Ele abraça o filho com o braço esquerdo enquanto segura a mala com a outra, ainda cata mais duas peças de roupa jogadas no chão pra fora, acena pro Diego de longe e pede pra acalmar ela, daí Diego entra pra casa com a bike.Já na outra rua, Edson ao chegar vai direto pra residência do irmão (logo ao lado), abre o portão trancado e porta da frente com sua chave, lá dentro no corredor iniciando a cozinha está “Rodrigues” lentamente caçando o que comer, trata-se do cágado novo obtido por Mateus que vive solto em casa, ainda cabendo na palma da mão, Edson ajoelhado faz um carinho no casco “Oi Rodrigues, já vou botar um alface pra tu comer”, resolve rápido o querer do animal porque o destino é o sofá da sala com o console ligado á tv.

[No Comando maior os integrantes param um pouco o treinamento, fazem uma roda e começam com suposições do que houve ao Capitão]
[Arpos]-Já faz um tempão que o Capitão saiu, será que deu caganeira nele?
[Vesc]-Ele ficou olhando pro nada e inventou uma desculpa.
-Será que ele tá esquematizando como vai punir o Vesc e a Cindi?[Pin perguntando ao Arpos com os dois do lado]
[Cindi]-Tá com inveja? Além do mais já era mais que óbvio o nosso destino juntos. Ele deve tá só descansando enquanto a gente cansa, isso sim.
[Pin]-Não era nem pra tu estar aqui.[apontando na cara dela]
[Cindi]-Meu sentido aguçado não demonstrou em hora alguma a aproximação dele em retornar, com certeza ele está planejando algo.
[Vesc]-Coisa nova vem aí.
[Arpos]-Puf, vai achando.
[Pin]-Arpos, vai lá ver o que é.
[Arpos impõe uma condição]-Se ele tiver dormindo quero um desfal.
[Na sala aonde se encontra Bravo, Arpos o vê revisando um livro diferente dos que eles estão habituados e certos momentos olhando o pulso direito durante a leitura, a aproximação suave não tira a concentração dele, até que Arpos resolve interferir]
[Arp]-Aconteceu algo, Capitão?
[Bra]-Sim.. e não.[inclinando a cabeça demonstrando não saber explicar]
[Arp]-Tá. Não entendi.
[Bra]-Você já teve que procurar algo que não conhece?
[Arp]-O que a Raman te deu pra ingerir?
[Bravo muda de assunto]-Falando nela, tenho uma notícia: ela está prestes a conseguir invocar sua Arma divina, quero que dê todo apoio possível pra ela.
[Arpos desconfiado]-Tá bom. Podemos encerrar o treinamento por hoje?[nada discreto]
[Bravo pensa um pouco antes de conceder]-…Pode, só peço que organizem o espaço.
-Certo! [Escondendo o fato de que já tá tudo organizado afim de estarem livres logo]

Enquanto Edson joga um “International Super Soccer Star Deluxe” no SNES, ouve-se a abertura do portão que precisa de óleo lubrificante para diminuir o rangido, ele pausa a partida e sentado inclina a cabeça alto, vê pela janela que é o primo, quando entra em casa Edson resolve querer tirar a curiosidade que só era menor do que o vício:
-Que barraco era aquele? De longe dava pra ver a tia doidona.
-Minha mãe, botou meu pai pra ir embora, foi o maior fuzuê.
-Oxê, porque?
-Porque ele foi comprar pão [com tom irônico já abrindo o sorriso]
[Edson inclina a cabeça sem entender inicialmente até raciocinar]-…Hahahaha, como é que é? Por acaso ele tá queimando a rosca?
-Que nada, escuta: num tem aquele bordel subindo ali depois da padaria?
-A “Casa da mãe Joana”?
-Isso. Então, direto ele saia cedinho dizendo que ia pra comprar pão, mas não era só isso, ele dava uma “rapidinha” lá, dessa vez minha mãe tava voltando de outro lugar e viu ele lá perto descendo rumo a nossa casa, daí uma das garotas de programa de lá saiu gritando “amorzinho, você esqueceu o pão aqui”, nessa a minha mãe viu ela entregando a sacola pra ele, aí já sabe o resto, né?

-Caramba! O tio traindo a tia, que vacilo.

-Ainda por cima a mulher é feia, dizendo a minha mãe.

-Ai ai, só aqui nessa Planaltina mesmo que acontece isso. Agora pega esse controle aí seu “pato”, tá na hora de tu perder.
-Ah, vá achando mesmo que eu vou perder. [pega o segundo controle e começam uma nova partida]. Aí, tá ligado o Enderson irmão da Pâmela?
-O que tem?
-Eu vi ele com um videogame na mão, um tal de “gaimeboi”, acho que é isso.
-Sério?
[…]
Naquela noite terráquea Mateus está voltando mais tarde do trabalho na carona do vizinho da mesma rua Arnaldo a quem lhe recomendou o emprego provisório. Distraídos com a conversa ao som daquele brega inesquecível rolando no toca fitas, do nada surge um vulto saído do mato pela esquerda afrente do carro nessa estrada escura, até que algo acontece]

[Arn]-Pois é, por isso eu já tô levando até a cervejinha do fim de semana.
[“Poft”, do nada o carro balança bamboleando pra direita efeito de um impacto exterior]
-“É O FRESCO É? QUE QUE ACONTECEU?” [Mateus assustado segurando aonde pode enquanto Arnaldo inclina a cabeça pra frente afim de saber o que foi]
-Calma aí, acho que a gente bateu em algo [pausando o som, parando o veículo]
[Mat]-Mais um buraco nessa merda de pista?
[Ao descerem do carro há muito sangue na direita da lataria e alguns metros atrás está caído um animal de porte médio, se trata de uma capivara já sem vida estendida na estrada]
-Caramba, passamos o carro na capivara! Vamos tirar esse bicho daqui da frente. Se a polícia vê isso aqui a gente tá no sal.
[Arnaldo logo o repreende gesticulando enquanto fala]-Que tirar daqui o quê, esse bicho entrou na minha frente porque quis, eu não vou desperdiçar carne grátis, quem vai pro sal é ele e ainda é sal grosso, vai virar é churrasco!
-Vai levar mesmo?
-É claro. Para com esse medinho e me ajuda aqui.
[Arnaldo abre o porta-malas, manda Mateus pegar o animal pelas patas dianteiras e ele segura nas traseiras, com um pouco de dificuldade o levam pra dentro, antes de voltar a dirigir, Arnaldo tira a camisa que veste revelando sua barriga branca estilo “tanquinho de chopp” e limpa a mancha de sangue na lataria do carro]
[Mateus expressa interesse]-Vou querer um pedaço.
-Agora tu quer, né? Pode deixar, chegando lá a gente desossa. Aproveita e abre uma cerveja aí pra mim. [Seguem seu caminho]

[Naquele amanhecer redimundiano, Bravo inicia os preparativos para conhecer tal realidade imaginada apenas através da mente. Preparação das vestimentas, põe luvas em suas mãos sem dedos, a bota de firmamento no solo e não pode faltar o casaco de Mestre de comando preparada antecipadamente nos encaixes traseiros. Ansioso e receoso não esconde as intensões na fala, sabendo o que fazer estende o braço direito invocando um portal a sua frente com visão noturna ambiente desconhecida adentro]
-“Conexo Alinhar”.[“vush”, aparece um portal com detalhamentos ao estilo madeira de coloração marrom]
-É, tá na hora de dar uma volta…