3 – Voo simpático até demais

Priscila
[“Priscila é meiga até na hora de tirar foto”]
Há 3 dias atrás, marcado por um clima nebuloso e vento frio, a dona Mônica agasalhada em seu sofá recebe uma ligação inesperada pela tarde durante suas novelas mexicanas:
[Trim…trim…trim, clic]
-Alô.
-Oi. Tia Mônica, é a senhora?
-Sim, quem fala?
-Sou eu, a Priscila. Num lembra mais de mim não?
-Priscila! Ai que bom que você ligou. Como estão as coisas por aí? Tá tudo bem?
-Tá sim senhora. Liguei pra saber se posso passar uns dias aí.
-Pode sim. Mas o que aconteceu com seus estudos? Ainda não está em época de continuar?
-Não, tô estudando ainda, é que eu achei vaga e vou transferir meu curso pra aí, por isso queria um lugar até conseguir arranjar o meu espaço.
-Ah, tá certinha. Quando é que você vai vir mesmo?
-Daqui 3 dias. Consegui uma passagem de avião mais barata e aproveitei. Será que alguém por aí poderia me esperar no aeroporto? Vou pegar o avião aqui ás 07:30h da manhã, no máximo ás 09:15h já cheguei segundo o que me disseram aqui.
-Ah minha filha, eu vou trabalhar cedo, mas vou pedir ao Gonçalves pra ir aí te buscar de carro.
-Obrigada, tia. Vou telefonar bem cedinho pra informar a minha saída, tá?
-Tá bom minha filha.
-Eu vou desligar aqui agora, depois a gente se fala mais. Benção.
-Deus te abençoe, tchau.
-Tchau…
[Clic, tu, tu, tu…] Priscila é parente de Fernando por parte de mãe, há 3 anos com bastante empenho conseguiu uma bolsa de estudos para cursar psicologia, mas teve que se mudar para o Rio de Janeiro para alcançar o objetivo. A maneira dela ser como todos aqui conviveram já não é a mesma,conheceu o mundão a portas abertas (escancaradas mesmo), a aparência de princesa esforçada engana, mal sabem o quão depravada essa garota se tornou.
[Mon]-Amor, levanta. A priscila ligou dizendo que está prestes a pegar o voo.
[Gonçalves abrindo os olhos sonolentos]-…Tá bom,…mas você sabe que eu não conheço direito o caminho do aeroporto.
-Eu sei. Hoje o Fernando tá em casa e ele vai com você pra vocês não se perderem, ele sabe o caminho.
[Mônica passa pela cozinha aonde Fernando prepara um café da manhã]
-“Fefê”, faz um favor pra mamãe. Vai com seu padrasto buscar sua prima Priscila no aeroporto? Ela vai chegar logo e você sabe o caminho.
-Sim senhora. A senhora devia ter me avisado bem antes, se eu tivesse um compromisso hoje cedo ia acabar atrapalhando tudo, deixou pra me falar ontem a noite [ele pretendia desbravar o Redimundo].
[Mon]-Eu esqueci de te avisar, mas ainda bem que não deu nada errado. Come aí que ainda tem tempo.
[Enquanto Fernando se alimenta, Gonçalves vai escovar os dentes e se trocar, desce pra comer algo rápido e saem informados de como encontrá-la. Durante o trajeto de pista jogam conversa fora sobre futebol, carros e mulheres.
Estando no aeroporto da capital do país, aguardam poucos minutos. Fernando aponta em frente sinalizando a localidade dela que responde levantando o braço esquerdo a eles.
-Olha ela ali.
A primeira vista, é notório o ganho de altura dela, também ganhou corpo, o encontro dos três é padrão familiar:
[Fer]-E aí, Priscila. Tudo bem?
[Pri]-Tudo. Fiquei sabendo que conseguiu virar professor. Oi tio Gonçalves.
[Gon]-E aí, menina. Você cresceu, ficou mais bonita ainda.
[Pri]-Ai, obrigada…
[Conversa vai, conversa vem, eles vão pegar as bagagens. Recolhendo as suas, ela levemente arregala os olhos ao se deparar com o que aconteceu, se preocupa com uma brecha mal costurada de ultima hora por ela mesma de um dos compartimentos laterais da bolsa que ficou junto da mala maior (provavelmente despejada de qualquer maneira na esteira pelo lado de fora por um funcionário), visivelmente ali dentro está apenas o pano amarelo que enrolava o objeto separado ao qual procura, daí olha para os lados e para o chão, mas não encontra o que deseja. Percebida, disfarça perante os dois]
[Fer]-Aconteceu alguma coisa?
[Pri]-Não…, só tô distraída mesmo.
[Gon]-Falta mais alguma mala, mochila?
[doida pra dizer o que é, mas prefere manter a compostura]-Não, é só três mesmo.
[Gon]-Tem certeza? Eu não quero ter que voltar aqui depois não.
[Pri]-Tenho.
[Gon]-Então vamos.
[Naquele instante, aos arredores uma mistura de risos, vergonhas alheias e apontamentos de dedos centralizados num único ponto é notório, vindo lentamente na esteira de bagagens sentido da esquerda pra direita, um objeto bem incomum de se ver publicamente, um pinto de borracha vagando ainda esperando seu dono aparecer, quem terá tal ousadia de meter a mão no material de cor preto tamanho 23cm?]
“Eu devia ter sido mais cautelosa”. [pensa Priscila]
[Gon]-hahahaha, ué Fernando, vai deixar tua bagagem aí?
-Hahahaha. Saí fora, esse não é o que você carrega no bolso de trás?
[Priscila pegando a onda se posiciona mantendo a fachada]-Nossa, que pouca vergonha. Quem ousaria em ter uma coisa dessas?
[Aviso: conclusão desse capítulo previsto até o dia 22/07/23]
